A história não acaba

por animuxthinking

Após intensa atividade de fusões e aquisições nos últimos anos, existem hoje três ou quatro grupos internacionais dedicados substancialmente a pesquisa de mercado customizada. A escala e o peso na negociação com clientes e fornecedores que isso proporciona faz todo o sentido estrategicamente. Esses grandes conglomerados priorizam soluções pré-formatadas, processos produtivos bem definidos e focam-se no desenvolvimento de programas de pesquisa para seus clientes globais; essa prioridade na padronização visa obviamente garantir receita e melhorar preços e rentabilidade.

Ao fazer esse movimento, entretanto, deixam de lado um conjunto de competências e recursos que seriam necessários para fazer um trabalho mais personalizado e criativo. Ao estruturarem-se para sua estratégia global padronizada, as grandes empresas de pesquisa deixam uma parte do mercado desatendida – clientes menores e com menos escala global e estudos que exigem um olhar “fora da caixa” e soluções mais criativas ou inusitadas. O foco em grandes clientes e soluções replicáveis aliena parte das necessidades do mercado.

Não é difícil entender esse fenômeno. Processos estruturados, controle central de rotinas e ocupações repetitivas exigem um tipo de mão de obra voltada a processos. Um trabalhador, para ser bem sucedido nesse tipo de tarefa, deve ter capacidade de concentrar-se em trabalhos recorrentes e detalhistas. Ora, não é esse tipo de trabalhador que vai ter lampejos criativos ou um olhar estratégico. Disso encarregam-se alguns elementos da organização, geralmente alocados em escritórios centrais ou vizinhos ao cliente.

Mesmo que não admitam (e creiam ser possível ser bom em todos os domínios, crença normalmente delirante), e sigam buscando clientes locais e regionais, os grupos globais de pesquisa acabam por frustrá-los, ao não dar-lhes a atenção necessária, visto que sua prioridade sempre serão os clientes globais. Mesmo estes últimos acabam frustrados em parte das suas demandas, pois se têm atenção, key account managers e soluções globais, não têm criatividade e flexibilidade.

Não é difícil perceber, por todos esses fatores, que há muitos dos usuários dos serviços das grandes empresas de pesquisa insatisfeitos por aí. Ao globalizar, centralizar e padronizar, as “big 3” acabam também criando involuntariamente uma zona inexplorada no mercado, esperando por ser ocupada.