Consumidor digital

por animuxthinking

 Este texto foi escrito por Estela Brunhara, estagiária da Animux.

TV ligada, a máquina preparando o café, computador sinalizando um novo e-mail e o celular vibrando com uma chamada. Estamos, assim, circulados pela tecnologia e pela informação. Os fluxos se tornaram tão rápidos que não podemos mais estar nos lugares que precisaríamos estar e não podemos esperar para receber informações. Por isso, os dispositivos de comunicação estão cada vez mais presentes ao nosso dia-a-dia, agilizando a troca de informações, permitindo novas formas de interação/comunicação e movimento em uma escala global, acelerada.

Em meio a tantos e tão rápidos fluxos de informação surge a internet, uma combinação de diversas redes de computadores que, graças ao avanço técnico de seus protocolos, permitiu a transferência de dados em escala global. O seu uso pela população em geral começou a se disseminar na segunda metade da década de 90, primeiramente com acessos limitados e lentos. Menos de vinte anos depois, a internet apresenta um crescimento vertiginoso: de 2 milhões de usuários em 1996, o Brasil registrou, no final de 2010, um total de 74 milhões de usuários conectados.

E os avanços não cessaram: a própria forma de conexão mudou – hoje não é mais preciso estar fixo a um desktop para se conectar; a internet se tornou, literalmente, uma rede disseminada: wireless e o acesso móvel possibilitaram uma conexão mais presente, chegando aos celulares, notebooks e tablets. A internet associada aos dispositivos móveis possibilita a nós, usuários, estarmos presentes em qualquer lugar, a qualquer momento, o que representa uma dinâmica comunicacional muito mais intensa.

Neste contexto a internet aparece como um aprofundamento do modo de vida/interação que foi inaugurado com as grandes cidades, dos avanços tecnológicos e dos tempos modernos.  A internet criou uma espécie de ‘novo mundo’, com dinâmicas, valores e práticas específicas. O aparente dualismo entre mundo off-line e online traz novos contornos para a questão da identidade, tema abordado pelo sociólogo Irving Goffman (A Representação do Eu na Vida Cotidiana). O autor defende a ideia de que assumimos papeis e os representamos de acordo com as necessidades do ambiente em que estamos inseridos. A internet cria um novo palco para nossas representações, e nele podemos assumir papeis completamente diferentes do que assumimos no ‘mundo’ off-line. A novidade não está em assumir diversos papeis, mas sim na simultaneidade proporcionada pela internet a essas identidades diversas – é possível interagir em um ambiente físico e, ao mesmo tempo, interagir a partir de uma identidade/avatar online. O perfil criado em uma rede social está disponível mesmo quando o usuário não está conectado.

O crescimento do uso das tecnologias de comunicação, combinado à presença cada vez maior da internet no cotidiano, trouxe novas formas de interação, comunicação e significação para as relações sociais. A tecnologia da comunicação está ligada à sociedade moderna com laços muito estreitos; por isso, entender seus impactos, o dinamismo das relações vigentes e seus possíveis desdobramentos são passos fundamentais para entendermos a própria sociedade. Inserir a Pesquisa de Mercado no ambiente online é fundamental para compreender o individuo moderno e suas diversas identidades e papéis. Alcançá-lo nesse ‘novo mundo’, que ainda é pouco explorado, torna-se uma ferramenta importante para entendê-lo em sua totalidade, preenchendo brechas e, consequentemente, tornando possível um maior conhecimento do mercado.