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nossas opiniões e aprendizado

Mês: fevereiro, 2012

Mobile Wallet

O conceito de Mobile Wallet ainda é novo no Brasil – em outros países esse sistema já está em pleno funcionamento. Sabemos também que ainda está em discussão o formato que será adotado no país. Aqui, recentemente, Mastercard e Telefonica anunciaram a formação de uma empresa para oferecer esse serviço aos clientes Vivo, já visando o enorme potencial do serviço.

Para quem não sabe, a “carteira móvel” é um meio de pagamento em que o celular é o veículo. Por meio de SMS, web móvel, apps ou um chip – reconhecido ao passar-se o aparelho por um leitor – o dinheiro é deduzido de sua conta ou de um valor pré-pago. Em outros países, já há bancos, empresas de cartão de crédito e de telefonia e até o Google, oferecendo o serviço. Muitas lojas e até taxis já aceitam o meio de pagamento em outros países. Muitas inovações no setor vêm de países africanos e até do Haiti – lugares onde um contingente enorme de cidadãos sem acesso a serviços bancários se valem do serviço para pagamentos cotidianos.

Por causa do buzz causado pelo assunto – é apontado pelos especialistas como uma das grandes tendências em tecnologia este ano – a Hotspex, nosso parceiro canadense, conduziu uma pesquisa com 1000 canadenses sobre o tema.

Apesar de transitar pelo mundo virtual, este meio de pagamento deveria ser oferecido pelos bancos, na opinião dos canadenses: 39% usariam o pagamento móvel se oferecido por uma instituição financeira, comparados a meros 15% caso este fosse oferecido por uma loja de apps ou varejista (metade dos respondentes simplesmente se recusaria a usá-lo, caso fosse oferecido por uma rede social).

O maior medo, ainda que relativamente atenuado caso haja bancos por trás do serviço, são perda de informações pessoais, proteção em caso de roubo ou perda do telefone e ceticismo sobre a capacidade do sistema em ser seguro em um meio aberto como o celular. Do lado positivo, entretanto, os canadenses veem a flexibilidade do sistema e a conveniência de agrupar todos os seus cartões em um só lugar (dispensando o “plástico”).

Ao possibilitar juntar cartões de crédito, débito, pré-pagos e outros no celular, o sistema possibilita enorme convergência e conveniência, mas também cria fantasias negativas na hipótese de perda.  As empresas que oferecerem o serviço serão vistas como inovadoras e tecnologicamente avançadas, mas terão que reassegurar o usuário sobre a sua segurança.

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Pesquisa é um filme!

Durante anos defendemos uma máxima que até hoje muitos colegas assinariam: pesquisa é uma foto da realidade. Ela expressa um momento, um retrato, um instantâneo. Quanto maior a amostra da nossa pesquisa, mais nítida será a foto da sociedade. Teremos melhor capacidade para ver as tramas, contrastes e diferenças.

No entanto, essa lógica nos colocava muitas vezes na defensiva: se a coleta dos dados foi realizada faz 45 dias, e durante esse tempo aconteceram fatos relevantes que mudaram o cenário, nossa foto ficava opaca, perdia luminosidade, estava retratando um momento passado. E os resultados eram relativizados, começando por nós mesmos.

A internet, e a lógica das redes sociais especialmente, mudou o paradigma. Pesquisa está deixando de ser apenas uma foto. Com os Community Panels Online, passa a ser um filme; cenas que construímos quase diariamente. Escolhemos quais partes do roteiro queremos contar e quais queremos que os entrevistados respondam. Em tempo real. Desaparecem as desculpas do tipo “mas o campo foi feito antes que o concorrente lançasse a nova promoção”. O barato do Community é isso mesmo: a potência que nos dá criar um diálogo contínuo com nosso target. Isso nos tira da zona de conforto, nos obriga a pensar e questionar nossas próprias verdades.

É uma diferença semelhante à das fotos digitais versus analógicas. Os Communities nos permitem tirar quase quantas fotos queremos. Mudar a ordem, rescrever o roteiro.

Provavelmente o mais apaixonante é discutir o objetivo de tirarmos múltiplas fotos digitais, em tempo real, com opinião constante. Queremos criar uma plataforma que puxe informação (mas próxima de uma ferramenta de comunicação) ou que abra canais de escuta (ongoing dialogue)? Queremos que seja aberta (reproduzindo um universo mais próximo das redes sociais) ou controlada (filtrando o target)? O sentido estará dado por quanto queremos uma plataforma “colaborativa”, que promova a participação e interação, utilizando o engajamento como principal combustível, se aproveitando do enorme apelo emocional que gera a internet hoje na sociedade; ou queremos criar uma avenida de comunicação, por conteúdos, promover concursos, gerar o engajamento a partir do estimulo dos materiais que as marcas criam?