Pesquisa é um filme!

por animuxthinking

Durante anos defendemos uma máxima que até hoje muitos colegas assinariam: pesquisa é uma foto da realidade. Ela expressa um momento, um retrato, um instantâneo. Quanto maior a amostra da nossa pesquisa, mais nítida será a foto da sociedade. Teremos melhor capacidade para ver as tramas, contrastes e diferenças.

No entanto, essa lógica nos colocava muitas vezes na defensiva: se a coleta dos dados foi realizada faz 45 dias, e durante esse tempo aconteceram fatos relevantes que mudaram o cenário, nossa foto ficava opaca, perdia luminosidade, estava retratando um momento passado. E os resultados eram relativizados, começando por nós mesmos.

A internet, e a lógica das redes sociais especialmente, mudou o paradigma. Pesquisa está deixando de ser apenas uma foto. Com os Community Panels Online, passa a ser um filme; cenas que construímos quase diariamente. Escolhemos quais partes do roteiro queremos contar e quais queremos que os entrevistados respondam. Em tempo real. Desaparecem as desculpas do tipo “mas o campo foi feito antes que o concorrente lançasse a nova promoção”. O barato do Community é isso mesmo: a potência que nos dá criar um diálogo contínuo com nosso target. Isso nos tira da zona de conforto, nos obriga a pensar e questionar nossas próprias verdades.

É uma diferença semelhante à das fotos digitais versus analógicas. Os Communities nos permitem tirar quase quantas fotos queremos. Mudar a ordem, rescrever o roteiro.

Provavelmente o mais apaixonante é discutir o objetivo de tirarmos múltiplas fotos digitais, em tempo real, com opinião constante. Queremos criar uma plataforma que puxe informação (mas próxima de uma ferramenta de comunicação) ou que abra canais de escuta (ongoing dialogue)? Queremos que seja aberta (reproduzindo um universo mais próximo das redes sociais) ou controlada (filtrando o target)? O sentido estará dado por quanto queremos uma plataforma “colaborativa”, que promova a participação e interação, utilizando o engajamento como principal combustível, se aproveitando do enorme apelo emocional que gera a internet hoje na sociedade; ou queremos criar uma avenida de comunicação, por conteúdos, promover concursos, gerar o engajamento a partir do estimulo dos materiais que as marcas criam?